

A crise do primeiro ano
As dificuldades de se adequar ao ensino superior e como superá-las
Muitos estudantes sofrem para se adequar à avalanche de trabalhos, leituras de livros e provas exigidas pela universidade. Marilene Proença, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), especializada em psicologia Escolar e Educacional, afirma. "Na universidade, os professores consideram que o aluno tem um grau de autonomia que permite o desempenho das tarefas propostas e organização da agenda de trabalho", contrapõe. Avançando um pouco, não deve ser exagero acreditar que uma boa gestão do tempo, com a devida definição de prioridades, possibilite ao universitário dar conta da alta carga horária dos cursos e da série maior de atividades de avaliação, muitas vezes simultâneo e que, no final do semestre, obrigam o aluno a absorver grande quantidade de conteúdo em pouco tempo.
Para prevenir esse problema , Marilene recomenda que, ainda no ensino médio, o jovem procure informações sobre o curso que pretende seguir, em palestras, literatura especializada, etc. Como muitas graduações ministram , nos primeiros dois anos, um conjunto de discíplinas básicas que não são vínculadas diretamente à atuação profissional, o estudante mal informado pode interpretar a dificuldade de assimilar esse conteúdo como uma má escolha na carreira e tomar a decisão equivocada de trocar de curso. "Para minimizar esse risco, é interessante o professor enfatizar a importância das disciplinas introdutórias para a formação do futuro profissional", aconselha.
Como todo rito de passagem, a entrada na faculdade amadurece o jovem, que vivencia uma mudança de foco: ele não mais estudará só para "passar de ano", mas, sim, para iniciar uma carreira. "O curso universitário possibilita um novo conjunto de experiências e de desafios, pois insere o jovem em uma profissão que tem um caráter técnico e também social", explica a psicóloga Marilene.
Fonte: Revista Agitação
