

Geração Orkut
Sites de relacionamentos ganham destaque na vida profissional e pessoal dos jovens
Recentemente, uma jovem inglesa de 16 anos foi demitida após escrever uma mensagem no site de relacionamento Facebook, afirmando que seu emprego era "chato". Apesar de não ter mencionado o nome da empresa, sua carta de demissão afirmava que, com base nos comentários feitos sobre seu trabalho, a organização entendia que seria melhor que ela se desligasse. A jovem recebeu diversas mensagens de apoio e o caso chegou a imprensa britânica. Some-se a essa notícia, os rumores de que recrutadores estão visitando tais sites, acreditando que assim, poderão traçar um perfil mais real dos candidatos a vaga de estágios ou de emprego. Polêmicas à parte sobre tais comportamentos, resta a questão de maior interesse para o jovem interessado na vida profissional: até que ponto comentários feitos em sites de relacionamentos podem ajudar ou prejudicar uma contratação ou mesmo a construção da carreira, caso cheguem ao conhecimento da empresa?
Aline Paiva , analista de Recursos Humanos do Grupo JBS-Friboi, garante que essa não é uma atividade rotineira na multinacional brasileira. "Consideramos que muitas manifestações não passem de brincadeiras. Optamos por avaliar o candidato pelo que ele é e não pelo que demonstra ser na internet". Contudo ela alerta para o excesso de tempo gasto na rede, o que levou a Friboi a restringir alguns sites para não sobrecarregar a rede e não distrair os colaboradores.
Mudança de comportamento. Essa decisão vem sendo tomada por um número crescente de empreas, pois divertir-se em páginas de entretenimento ou bate papo, definitivamente não combina com o ambiente corporativo, tanto pela perda de tempo, como pelo risco de infecção das redes de computadores. Apesar dos alertas, entretanto, esse tipo de abuso acompanha o crescimento das participações nos sites de relacionamentos. O Orkut é a bola da vez entre os internautas brasileiro, que constituem mais da metade dos 60 milhões de membros no mundo e detêm a posição de campeão de audiência (número e duração de acessos).
Há, de um lado, a preocupação com as longas horas que muitos estudantes passam diante do computador, roubando tempo que deveria ser dedicado aos estudos, ao lazer, ao esporte e a outras atividades próprias da idade. O tema é polêmico e gera discussão.
Em entrevista concedida a BBC de Londres, o psiquiatra inglês Himanshu Tyagi destaca que a geração nascida depois de 1990 - década da popularização da internet - pode estar crescendo com uma visão perigosa da sua própria personalidade, com risco de gerar possíveis complicações em sua vida pessoal e profissional. Graham Jones, psiquiatra especializado no estudo do impacto da internet, discorda: "Para cada geração, a experiência com relação ao mundo é diferente. Quando a imprensa surgiu, tenho certeza que a consideraram como uma coisa ruim".
Os pré-adolescentes de 12 ou 13 anos pertecem a geração que cresceu junto com acelerados avanços tecnológicos, ao contrário da maioria dos pais, que precisam dos filhos para conseguir programar a tv, utilizar celulares sofisticados ou pesquisar no Google. Portanto, se para eles não é fácil dizer aos garotos qual a melhor atitude diante dos encantos da realidade virtual, não é difícil detectar o perigo dos exageros. "Prefiro falar com meus amigos na internet do que pessoalmente. Quase todos eles preferem assim", afirma Luiza Inanobe de Carvalho, 11 anos, estudante do sétimo ano do Ensino Fundamental II. Fissurada em jogos eletrônicos de guerra, usa o Orkut de fóruns de debates sobre games e procura ver vídeos do gênero no YouTube. Mesmo sendo cedo para pensar no seu futuro profissional, Luiza tem certeza que a rede online só tende a colaborar para a sua formação. "Acesso a internet milhares de vezes durante o dia, mas não sou viciada, só procuro por assuntos que me interessam", afirma.
Há quem diga que desde que o Google foi criado não existe pergunta sem resposta. Será mesmo? É bom que, também nesse caso, o jovem também tenha um pé atrás, pois mais e mais pessoas apontam superficialidade, até mesmo erros nas informções disponíveis nos sites de buscas. Portanto, trabalho escolar com uma fonte só, garimpada na internet, nem pensar - é melhor sempre acessar sites confiáveis e, mesmo assim, também cotejar os dados obtidos, com outras fontes. Claro que a internet encurta distâncias, otimiza o tempo, universaliza o conhecimento, amplia a rede de contatos, etc., etc..Só que do lado de cá do monitor, a realidade é outra, e é bom não ultrapassar os limites do bom senso, lembrando que nada em exagero é bom.
Fonte: Revista Agitação
