

Vila Itoupava | Blumenau
A primeira impressão que se tem é a de chegar a uma cidadezinha do interior da Alemanha, a arquitetura exaimel, o ritmo tranquilo e as conversas de vizinhos na língua-mãe dos colonizadores conferem ao lugar uma agradável atmosfera rural europeia. Não fosse pela "gente de fora" que todos os anos vem para trabalhar na principal fábrica do distrito, a Vila Itoupava poderia muito bem ser confundida com um genuíno território germânico cravado no Sul do Brasil.
Os 25 quilômetros que separam o bairro do centro de Blumenau contribuem para a preservação dos costumes, a maioria dos seus 5 mil habitantes mora, trabalha e passa os finais de semana na Vila Itoupava. A Haco, fundada em 1928 é hoje a maior fábrica de etiquetas em tecido da América Latina é a principal empregadora de mão-obra-local e uma espécie de patrimônio social no imaginário popular. Pelo menos uma pessoa de cada família depende diretamente da atuação da empresa.
No bairro o idioma oficial é o alemão, mesmo quando se veem obrigados a treinar o português com os netos ou os costumeiros visitantes, os mais antigos carregam um inconfundível sotaque germânico, chegam a misturar expressões dos dois idiomas. O médico Celso Setter, que atua no Hospital de Misericórdia da Vila Itoupava há trinta anos, conta que pelo menos metade de suas consultas é atendida em alemão. Ele alerta, no entanto que, a tradição está morrendo ao longo dos anos, já que os novos profissionais da indústria têxtil local e os próprios filhos das famílias tradicionais do bairro não têm preservado o idioma no dia-dia.
Na casa de Rubens e Olívia Hein, casados há trinta anos, o alemão ainda predomina nos diálogos familiares. A "oma" da casa - mãe de Rubens - fala português com dificuldade, o que incentiva as netas de 23 e 28 anos a manterem a fluência no idioma europeu. Atualmente aposentados pela Haco, Rubens e Olívia tocam a Happs Chocolate, uma pequena loja com produção administrada pela própria família, a distância do centro de Blumenau só ajuda a manter a tranquilidade do bairro, onde, segundo Olívia, ainda é possível sair de casa com as janelas abertas ou deixar o carro destrancado em frente a padaria.
A principal estrela da Vila Itoupava - e a responsável por atrair turistas de todas as partes do mundo para o lugar - atende pelo nome deAbendbrothaus, um dos restaurantes mais tradicionais da gastronomia germânica em Santa Catarina. Administrado desde 1986, pela família de Renê Jensen, o local ganhou fama nacional no final de década de 1980 por seu tradicional "marreco recheado com repolho roxo e purê de maçã", o cardápio é único e servido apenas nos almoços de domingo.
A exclusividade acaba sendo o principal charme do prato, a receita do marreco é da família e guardada a sete chaves por Renê. O purê de maçã que a partir de então passou a ser imitado por alguns restaurantes típicos alemães do Vale do Itajaí - foi introduzido por um casal de turistas alemães que fez questão de ensinar a receita à família Jensen logo nos primeiros anos do negócio. A novidade caiu no gosto popular e distribuiu fama ao restaurante em várias partes do Brasil. Há oito anos, o marreco com repolho roxo do Abendbrothaus é responsável por uma estrela no Guia Quatro Rodas, um dos principais livros de consulta de hotéis e restaurantes do país.
Próximo ao recanto gastronomico dos Jensen, vale a pena dar uma paradinha na Schluck, empresa de destilados que ganhou notoriedade na carona da Blumenauense Eisenbahn, que produz 13 tipos de cerveja artesanal. É dali que sai o fortíssimo Bierlikor - ou licor de cerveja, produzido a partir da matéria prima base da famosa marca. O destilado é feito a partir da cerveja Dunkel, variedade escura feita com 5 tipos de malte torrado. A parceria entre as duas empresas ajuda a impulsionar os outros licores da Schluck, que podem ser degustados sob a orientação do proprietário Mário Manzke.
Para finalizar o passeio pela Vila Itoupava desça do automóvel e caminhe sem pressa pelas ruas do vilarejo, aproveite sua bucólica paisagem rural, preste atenção nas conversas em alemão e puxe papo com os moradores, a maioria gosta de conversar com os visitantes e contar histórias do bairro mais pitoresco de Blumenau. Seja em alemão ou português.
Fonte: Noticia Blumenau
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