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Saiba quais as doenças mais comuns entre as mulheres nos dias de hoje
A correria do dia a dia, a falta de tempo para uma vida mais saudável e a alimentação desequilibrada são motivos para alterar o ritmo natural do organismo humano. Para as mulheres - que nos últimos 50 anos intesificaram sua carga de responsabilidade diante da sociedade, com a rotina agitada de trabalho associado aos cuidados com casa, filhos e família -, a saúde tem se tornado um ponto fraco diante de doenças simples, que apenas atrapalham e desregulam momentaneamente o sistema corporal, e as preocupantes, que comprometem tanto a parte física quanto psicológica da paciente.
As visitas preventivas aos especialistas, como ginecologista, endocrinologista, mastologista e proctologista, muitas vezes são deixadas de lado devido ao estresse do cotidiano. E isso é um grave erro! "É muito importante que as mulheres façam exames de rotina para prevenir todo tipo de doença ou descobrir a tempo um problema que não precisa causar um transtorno maior se deixado passar", explica a médica assistente da disciplina de Endocrinologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, Cintia Cercato.
É direito de toda mulher estar ciente dos problemas, formas de prevenção e tratamentos. Descubra a seguir, o significado, a causa e a solução de algumas doenças mais comuns entre o público feminino.
Agende seu ginecologista
As doenças ginecológicas podem ser desconfortáveis, prejudiciais e, em alguns casos, fatais, causando, muitas vezes transtornos físicos e psicológicos às pacientes. "Alguns dos exemplos mais comuns dos problemas ginecológicos são as alterações das secreções vaginais, como a candidíase, doenças sexualmente transmissíveis, como o HPV, o leimiomas uterinos, ou seja, nódulos que se encontram no colo uterino", explica o professor e doutor da clínica de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Nilo Bozzini.
Secreções vaginais: geralmente anormais, são chamadas de corrimento ou leucorréia e podem apresentar cheiro desagradável, irritação, coceira, ardência e até mesmo prejudicar o sistema urinário. "Essas leucorréias, quando causadas por fungos como a candidíase, podem ter origem alérgica, devido a vestimenta, desodorante íntimo, má alimentação, falta de higiene, meios contraceptivos indevidos, noites mal dormidas, depressão... Enfim existem várias razões que alteram a flora vaginal. O tratamento, na maioria das vezes, é bem orientado através de medicamentos, mas a ocorrência desse tipo de problema, em muitos casos é inevitável", explica Dr. Nilo
HPV: é um vírus tido como o grande temor das mulheres, segundo o ginecologista, pois pode ser causador de doenças malignas do colo do útero. De acordo com pesquisas recentes, o HPV possui muitas variações que se manifestam na área genital, através de verrugas. "O HPV é o percursor do cancêr uterino, mas isso não quer dizer que você irá contrair a doença se o tiver", afirma o médico. No momento, vacinas estão sendo utilizadas contra o HPV, porém, isso não livra a paciente de se prevenir com exames citológicos, como o tradicional papanicolau, e a consulta ao médico pelo menos uma vez por ano.
Leiomioma uterino: são tumores sólidos, benignos, que comprometem a parede do útero e causam sangramento, anemia, dor pélvica, dificuldade para engravidar, para evacuar ou urinar. "A bexiga ou reto, por serem próximo ao útero sofrem as consequências de miomas volumosos. Cerca de 80% das mulheres que estão na última fase reprodutiva da vida, entre 35 - 40 anos, apresentam esse tipo de problema", diz o doutor. Os leiomiomas uterinos podem aparecer por uma tendência familiar ou uma propensão genética. Há casos em que as mulheres podem conviver com os pequenos tumores normalmente e outros, em que a cirurgia é a alternativa. O tratamento pode ser conservador, com indicação de miometria - retirada dos nódulos - e a conservação do útero. Em situações extremas, é recomendada a histerectomia, ou seja a retirada do útero."Essa segunda opção normalmente é indicada quando existe o número de filhos determinados ou se existe outra doença associada ao mioma uterino. Não há uma maneira para prevenir esse tipo de problema, por isso, mais uma vez a consulta ao seu ginecologista é orientada", encerra o doutor.
A Mastologia ajuda
Em sua maioria feminina, as doenças tratadas pela especialidade da Mastologia concentram-se na região dos seios, destacando-se entra as mais comuns, as alterações funcionais benignas, os nódulos benignos e os cistos.
Alterações funcionais benignas: são dores e inchaços no período da menstruação que ocorrem em mulheres acima dos 40 anos, que estão na época de transição para a menopausa. "não há uma maneira de prevenir esse tipo de acontecimento, pois a mulher pode sentir ou não esses sintomas. Mas este é um dos problemas mais comuns que encontramos nos consultórios, porque a paciente já começa a imaginar que pode ser um problema maior, como um câncer. A solução é a indicação, por um médico, de medicamentos que cessem essas dores e inchaços, proporcionando alívio à paciente", explica o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Dr. Ricardo Chagas.
Nódulos benignos: são comuns nas mulheres e podem ser causados por um aglomeramento de tecidos, por exemplo. "Eles não são nódulos duros, são móveis e conhecidos como fibroadenomas. São comuns em mulheres com menos de trinta anos e não há a necessidade de retirá-los, somente se eles crescerem muito, o que é raro acontecer", explica o mastologista. Esses nódulos benignos costumam ser constatados com a palpação da mama ou em exames específicos, como a mamografia e o ultrassom, É extremamente a mulher se prevenir fazendo os exames anualmente, quando tem menos de trinta anos", alerta o doutor.
Cistos: são nódulos que apresentam líquidos dentro e, em sua maioria, não têm relação com o câncer mamário. "A única preocupação com relação ao cisto é quando apresenta um nódulo sólido associado a ele. Caso contrário, ele pode ser esvasiado através da punção do líquido, ou seja, da retirada do líquido com uma agulha ou, em determinados casos, através de cirurgia", detalha o doutor Ricardo. Assim como os nódulos benignos, não há como prevenir o aparecimento dos cistos, já que não existe uma causa concreta para sua aparição.
Nódulos malignos: são nódulos sólidos e imóveis. Geralmente aparecem em mulheres com mais de 30, 40 anos. "Há a possibilidade de mulheres com menos de 30 anos desenvolverem um câncer de mama. Nesses casos o câncer costuma ser muito mais agressivo, pois eles crescem mais rápido, se multiplicam com mais facilidade", conta o mastologista. Nesta situação, é necessário colher um pedaço do tecido do nódulo e analisá-lo em uma biópsia. Se comprovada sua malignidade, a cirurgia é imediata, podendo tirar apenas um pedaço, ela inteira e toda a musculatura até axila - no caso de metástase. "Se for constatada a possibilidade do câncer ter se espalhado, a axila é o lugar para onde ele iria, então, a retirada de toda a mama e da musculatura e glândulas da axila é necessária". A radioterapia é aplicada em pacientes que retiram apenas um pedaço da mama; já quimioterapia é indicada depois de vários exames, como o painel imunohistoquímico, para mulheres que sofrem de um câncer mais agressivo ou que retiraram a mama inteira ou mais. A hormonioterapia é indicada para pacientes mais idosas.
Já consultou um endocrinologista?
Comuns a homens e mulheres, as doenças endócrinas atingem grande parte da população e algumas, como a obesidade, são consideradas o grande mal moderno. "O que mais preocupa é que a incidência das doenças a seguir tem sido muito maior no sexo feminino", alerta a médica endocrinologista Cintia Cercato.
Obesidade: é o excesso de gordura corporal, avaliada pelo Índice de Massa Corporal, calculado pelo peso, dividido pela altura ao quadrado, IMC=Kg/A². "Esse índice pode indicar quatro possibilidades: se você está entre 18,5 - 25Kg/m², está no seu peso normal; já as pessoas entre 25 -30 Kg/m² estão com exesso de peso; de 30 - 40Kg/m² são pessoas consideradas obesas; e acima de 40Kg/m² são pessoas com obesidade mórbida", explica Dra. Cintia. De acordo com a doutora, 40% da população brasileira já apresenta excesso de peso, e 13% das mulheres são obesas (IMC maior que 30Kg/m²). É uma epdemia, causada por maus hábitos alimentares, abusos de doces e gorduras, comida industrializadas, falta de atividade física ou propensão genética. A obesidade é uma doença crônica e, como tal exige um tratamento crônico. A pessoa tem que mudar totalmente seu hábitos alimentares, fazer exercícios, e em algumas situações, usar remédios para controlar o peso. E, em último caso, optar pela pela cirurgia de redução do estômago, indicada apenas para obesos mórbidos.", relata.
Hipotiroidismo: falta do hormônio da tireoide no organismo humano, causando preguiça, cansaço excessivo, unhas fracas, queda de cabelo, intestino lento e ganho de peso. "O hipotiroidismo é uma das doença mais comuns que existem e a incidência em mulheres é grande. O tratamento é reposição do hormônio tireoidiano, esse problema dura o resto da vida e a ingestão constante do medicamento de reposição não prejudicará a saúde em nada, se utilizada na dose correta", explica a doutora.
Hipertiroidismo: é exatamente o contrário do hipotiroidismo. A paciente perde peso, o intestino funciona muitas vezes por dia, apresenta calor intenso, tremores nas mãos, irritabilidade e perda do sono. A solução é conter o excesso de produção de hormônio tireoidiano com medicamentos ou retirar a glândula da tireoide. Nesse caso, a pessoa desenvolverá o hipotiroidismo". A causa de ambos os problemas pode ser propensão genética, dieta rica em iodo ou uso de medicamentos.
Nódulos na tireoide: em 95% dos casos, esses nódulos são benignos e a incidência maior é em mulheres, entre 40 e 60 anos."O diagnóstico pode ser feito pela palpação do nódulo no pescoço ou através do exame de ultrassom. Depedendo das característcas do nódulo, uma punção pode ser feita para um melhor esclarecimento diagnóstico. Os nódulos considerados suspeitos são encaminhados para cirurgia", conta Dra. Cintia.
Ovário policístico: é uma doença ovariana que favorece a formação de cistos e o aumento do hormônio masculino, conhecido como testosterona, causando uma não ovulação e desregularizando a menstruação da mulher. "Pode causar infertilidade ou apenas dificultar a gravidez, aumentar acne e o crescimento de pelos", comenta a doutora. Essa doença está associada muitas vezes, a obesidade e um dos tratamentos é a perda de peso. Meninas que entraram na puberdade mais cedo também podem apresentar esse tipo de problema. "O tratamento depende do quadro clínico da paciente. Pode ser feito com anticoncepcionais, perda de peso e medicamentos antiandrogênicos, que estimulam a ovulação", conclui a doutora.
Consulte um proctologista
De grande incidência no público feminino, as doenças proctológicas, como a constipação intestinal, hemorroidas e fissuras anais, têm como uma de suas principais causas a alimentação pobre em fibras, relacionada a correria da rotina moderna e ao aumento de ingestão de alimentos industrializados.
Constipação intestinal: é a dificuldade de evacuar de forma satisfatória. "É problema muito comum entre mulheres. A cada 10 mulheres seis sofrem com a constipação intestinal", afirma o médico cirurgião, especialista em Coloproctologia da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Henrique Perobelli Schleinstein. A constipação intestinal ocorre por diversos fatores, entre eles, a ingestão baixa de alimentos ricos em fibras e a falta de líquidos. As mulheres modernas sofrem ainda mais, pois muitas não se sentem a vontade em evacuar no ambiente de trabalho e preferem esperar até que estejam em casa, porém, muitas vezes, o estímulo a evacuação já passou. "Uma das causas conhecida hoje de constipação intestinal é a chamada inércia colônica, que é a lentidão da progressão do material fecal ao longo do intestino grosso, causando um aumento do tempo de trânsito das fezes e, consequetemente ressecamento. Mas isso não quer dizer que todas as mulheres que sofrem de constipação intestinal têm a inércia colônica, existem outras causas", explica o doutor. A melhor maneira para prevenir os dois problemas é mudar os hábitos de vida da paciente aumentando a ingesrtão de alimentos ricos em fibras e líquidos na dieta, atividade física regular e, em alguns casos, auxiliando o tratamento com medicamentos indicado pelo médico. A mulher precisa procurar um médico antes de tomar qualquer medicação. Primeiro, ela necessita saber o que realmente está acontecendo com o seu organismo e, depois, qual o melhor remédio para resolver o problema", ressalta Dr. Henrique.
Doença hemorroidária: todos nascem com a veias hemorroidárias, mas a doença surge no momento em que elas se tornam sintomáticas, causando dor, sangramento e dificuldades de higiene do paciente. "As mulheres tem mais dificuldades em evacuar e quando fazem muita força ao longo de anos, as hemorroidas se exteriorizam para fora do ânus e não voltam, daí, vêm os sintomas", observa o doutor. As causas podem ser hereditárias ou comportamentais, ou seja mulheres que fazem muita força para evacuar ou que têm muitos filhos ao longo da vida - durante a gravidez, o útero e o feto dificultam o retorno venoso da parte inferior do abdomen e pernas, aumentado a pressão maior nas veias, gerando as varizes e hemorroidas". diz o médico. Quando o problema ocorre, o acompanhamento pelo médico é necessário, e o tratamento é feito com a ingestão de fibras, pomadas emolientes, analgésicos e, em alguns casos, cirurgia. "Optamos pela cirurgia em casos extremos, quando estão muito grandes, irredutíveis ou quando os sangramentos são diários".
Fissuras anais: são verdadeiros cortes na região anal, muito doloridos", diz doutor Henrique, que acrescenta: "São causadas também pelo mau hábito alimentar, como comer um sanduíche em pé no metrô ou ônibus, sem primar por um consumo balanceado, sem mastigar bem alimentos". A fissura anal é causa comum de dor anal e de sangramento, geralmente acontecendo após a evacuação. "Na sequência, surgem as dores em pontadas e ardências, que podem durar dias. O tratamento consiste em retirarmos a utilizção de papel higiênico para limpeza após o banheiro e substituí-lo por água. Uma dieta balanceada, rica em fibras é fundamental para um intestino saudável e, por consequência, uma vida também saudável, minimizando, muito, os problemas gastrointestinais", afirma Dr. Henrique.
Cancêr colo retal: é mais comum nos países ocidentais, onde a dieta é rica em carne e alimentos industrializados e há um alto consumo de fumo e alcool. "Apenas de 5% a 10% dos casos tem origem genética, o restante, até 95% , são adquiridos ao longo da vida, pela má alimentação. Quando a paciente não apresenta nenhum caso desse tipo de cancêr na família, recomendamos que ela faça um exame de colonocospia ao atingir a idade 50 anos. Antes disso só quando apresentar algum problema específico ou tiver um histórico familiar". Nesse caso, a solução é a cirurgia e, talvez depois de algumas análises, a ajuda da quimioterapia ou radioterapia. O crítico desse problema é que antes era uma doença mais comum no sexo masculino. O quadro se inverteu nos anos de1993 a 2003, em que o salto no número de pacientes femininas que apresentam ese tipo de cançêr foi significativo. A média é de 4,18/100 mil homens com a doença, para 4,49/100 mil mulheres" conclui o doutor.
Fonte: Revista Miss Brasil Oficial
Leia também: Como prevenir o cancêr de mama
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