

Vasectomia, mitos, complicações e reversões
Por se tratar de um procedimento com difícil, impossível reversão, tudo tem que ser muito bem pensado e bem planejado. Porque hoje achamos que está tudo certo, mas amanhã é outro dia. Espero que não seja o seu caso, mas isso acontece, por isso o alerta, a esterilização tem que ser encarada de forma definitiva. Mas vamos as considerações técnicas:
Mitos: o volume total de sêmen, gerado antes da próstata e das vesículas seminais é de apenas 2 a 6%. Esta informação é muito importante, pois agora entraremos na vasectomia, propriamente dita, e jogar por terra uma crença popular, a de que a vasectomia diminui muito o volume ejaculatório. Porque o alvo da vasectomia é o canal deferente. Aliás o nome técnico correto é deferentectomia.
O procedimento consiste na secção bilateral, com via de acesso mínima, em ambos os canais deferentes. Assim, impede-se os espermatozóides de atingirem a parte alta do trato reprodutor masculino, sem influir significativamente na produção do sêmen, e com isso esteriliza-se o homem. Após a secção (corte), as bordas criadas dos canais são ligadas (amarradas) ou então cauterizadas, para eliminar o risco de recanalização, pois o organismo tentará curar a "lesão".
Os riscos de recanalização são mínimos, menos de 1% e estão relacionadas a experiência do cirurgião e a técnica cirúrgica aplicada.
Razões para a vasectomia: casais que optam pela vasectomia costumam fazer por motivos como: o custo menor do procedimento, simplicidade da cirurgia, mortalidade menor da vasectomia e ao medo de uma cirurgia maior na mulher. Os que optam por laqueadura tubária, fazem-no pela comodidade em acoplar dois procedimentos num só (cesariana e laqueadura). Medo de efeitos colaterais no homem e medo de cirurgia no homem.
Complicações: além de complicações inerentes a qualquer procedimento cirúrgico, como infecção local e hemorragia, existe uma complicação clássica da vasectomia, chamada "Sindrôme da dor pós vasectomia", que pode ocorrer entre 5% a 33% dos casos e consiste em dor crônica persistente.
Pelos motivos anteriormente citados, a vasectomia não altera a libido masculino. Já que os hormônios produzidos pelos testículos vão para o corpo via corrente sanguinea, tampouco altera o volume, cor, consistência, cheiro e gosto (???) do sêmen.
E os pobres dos espermatozóides? Sem ter para onde ir, acabam sendo digeridos por células chamadas macrófagas. Quando atingem um volume considerável, podem formar uma espécie de "caroço", chamado de granuloma espermático, geralmente assintomático e autolimitado. Tal granuloma ocorre na maioria dos homens vasectomizados, trazendo no máximo um pouco de dor.
A reversão: existe um procedimento operatório vasovasostomia, que como se imagina é a tentativa de reconstruir o canal deferente. Para um procedimento de custo elevado, apresenta eficácia relativamente baixa 50 a 70% de sucesso.
O homem que se submete a vasectomia idealmente deve encarar como procedimento definitivo, e não pensar que pode ser revertida.
Homens mais abastados podem optar pelo congelamento do sêmen, antes da vasectomia, e se desejar ter filhos, usar técnicas de reprodução assistida
Custos: vasectomia é um procedimento de baixo custo e rápido.
Fonte: Revista Midhia/05/10
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